DAS PINTURAS RUPESTRES … AO … “BIT”
Porque a escrita é razão de “ver”, ao fazê-lo sobre o conceito de imagem, percebi que esta, enquanto representação gráfica, tem sido, ao longo da história do homem, o grande motor de transmissão e construção do conhecimento.
Na história da humanidade o tempo começou a passar de forma diferente depois da imagem começar a ser divulgada com facilidade. Em 1436, Johann Gutenberg inventou a tecnologia da impressão e tipografia.

Johan Gutengerg
A partir daí, e à medida que este invento contribuía activamente para a revolução científica, o homem, como ser criativo, desenvolveu a tecnologia de forma a pôr a ciência ao seu serviço e os inventos foram surgindo - Nicéphore Nièpce e Louis Jacques Mande Daguerre entre 1826 e 1839 inventam o processo fotográfico. Esta nova forma de criar imagens influenciou não só a ciência mas também a pintura. Nessa altura a pintura e a fotografia evoluíram por caminhos paralelos. No que se referia à representação fiel da realidade, a pintura não podia competir com a fotografia, mas esta vinha libertar os pintores da representação mimética da realidade.
Thomas Alva Edison em 1891 apresenta as primeiras imagens em movimento e em 1895 os irmãos Lumière inventam o cinema. Ainda em 1895 Marconi e Popoff transmitem mensagens sem fio. Em 1906 Fessender transmite voz humana por rádio. Com a invenção da rádio surge um meio de comunicação que não depende da impressão, dos transportes e que está ao alcance do público iletrado. Entre 1940 e 1959 a televisão chega ao dia a dia dos países desenvolvidos, tendo a sua difusão multiplicado a quantidade de informação que chegava ao público anónimo. Ela formou sensações e permitiu o acesso a acontecimentos longínquos.
Como se pode ver a evolução do conhecimento e da ciência não variou de forma directamente proporcional, mas sim exponencial, em relação à evolução da capacidade de criar imagens gráficas, signos ordenados simbolicamente com determinado sentido, criando linguagens capazes de descrever o mundo.
Como diz o texto, “as imagens como signos de representação gráfica permitem o registo condensado de experiências, a sua perduração e transmissão”.
Nos últimos 50 anos assistimos ao despoletar de novas técnicas de transmissão de imagens e, como consequência, ao despoletar também de uma nova forma de construção do conhecimento. Entrámos na era do digital.
“Até agora a ciência operava de duas formas básicas: por descoberta e por invenção. Hoje existe uma terceira forma de realizar ciência: a construção de representações do mundo. Não se trata de descobrir uma nova espécie, nem de inventar um novo engenho, mas de construir artefactos formais de expressão do pensamento”[1].
O homem criou modelos matemáticos (Álgebra de Boole – a lógica), capazes de representar modelos de pensamento, imagens e linguagens que descrevem a realidade. Esses signos organizados e orientados em determinado sentido permitiram a criação de linguagens responsáveis por esta enorme capacidade de armazenar, processar e transmitir imagens e conhecimento que existe hoje ao nosso dispor.
Mas, como sempre, existe o revés da medalha. Hoje, a visualidade é de tal forma impregnante que, muitas vezes, interdita a nossa própria subjectividade, impedindo-nos de “significar”. Não é por acaso que nos mídia a imagem é alvo de profundo estudo, uma vez que é capaz de nos inculcar as representações pretendidas por quem as produz. De todos os sentidos, aquele que tem maior poder de inculcação é o visual e, uma vez aliado às novas tecnologias de transmissão, o mais poderoso e o mais perigoso.
E … tudo por causa de uns “0” e “1” …, o dito bit.
[1] Câmara, Gilberto engenheiro de electrónica, mestrado e doutorado em Computação. Entrevista ao Jornal da Universidade Estadual de Campinas, Brasil, em Agosto de 2004.
1 comentário:
ok. está bem!
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